quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Soneto

A maior heresia de toda a língua
Francesa: Esta torpe rima, míngua
De qualquer sentido ou verossimilhança,
Que só teu vil som enfastia e cansa

Qualquer poeta, digno de si mesmo.
Maldito o povo que, labutando a esmo
O seu dialeto, criou, com detreza,
Toda a idiotice e a soberba fraqueza

Dos europeus. Do germano ao godeme,
Todos comeram deste infecto alimento
Que gera, todo mês, um morto rebento

De menestréis apaixonados. Eu repito,
Sim, outra vez, eu xingo este maldito
Contigente que rimou je t'aime a poéme.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Saravá, seu Zé Pilintra!

- Ô Zé, quando for na lagoa,
Vê se toma cuidado
Com o balanço da canoa!

- Ô Zé, me faça o que quiser,
Mas não me machuque
O coração dessa mulher!

- Ô, seu Zé ...
Zé Pilintra enganador.
Que enganou a minha jovem
Com palavras de amor.

- Não foi eu, não...
Foi ela quem me enganô.
Eu passava, ela dizia:
"Zé Pilintra, meu amô"

- Essa puta é minha.
Puta minha é putona.
Quem quiser puta gostosa
Que vá buscar na zona!

-Ô seu rufião,
Me dê o seu perdão.
Que muié que cai na rede
Eu não deixo na mão não.

- Zé Pilintra, tu é macho,
E macho eu respeito.
Se você quer puta boa
Eu arranjo uma no jeito.

Ao fantasma de Manuel Bandeira

Enquanto o fogo, quente e cru,
Das cinzas, queima-me o olhar.
Peço para que, ao menos no bar,
O senhor fique quieto. Mas tu...

Falando-me da mesma mulher,
Pergunta-me, ao som do luthier:
"É mesmo ela que você quer?"
Ó... meu amigo, meu caro...

Eu já nem sei que é querer.
Se isso mo fosse tão claro,
Se eu soubesse o que quero,

O senhor pode ter certeza
Que subiria naquela mesa
E lhe cantaria um bolero.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

To The Whore Who Took My Poems

some say we should keep personal remorse from the poem,
stay abstract, and there is some reason in this,
but jezus;
twelve poems gone and I don't keep carbons and you have
my
paintings too, my best ones; its stifling:
are you trying to crush me out like the rest of them?
why didn't you take my money? they usually do
from the sleeping drunken pants sick in the corner.
next time take my left arm or a fifty
but not my poems:
I'm not Shakespeare
but sometime simply
there won't be any more, abstract or otherwise;
there'll always be mony and whores and drunkards
down to the last bomb,
but as God said,
crossing his legs,
I see where I have made plenty of poets
but not so very much
poetry.

(Charles Bukowski)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Prece à levedura

Você...
Ó criatura unicelular
E, portanto, divina,
Que da singela rotina
Faz de ofício saciar
A nossa sede tremenda.
Nós, os ébrios glutões,
Que de litros (milhões)
Enchemos a fenda,
Devemos-te reverência,
Ó Zeus da embriaguez
Ó suprema Providência.
Traga-nos, outra vez,
O verdadeiro puro sumo
Dos galhos da parreira
Para que assim, o consumo
Seja logrado. A bebedeira
Apreciada e usufruida
Aqui, na nossa igreja,
Que serve, de bebida,
Três ou quatros tonéis
Da melhor cerveja
Aos distintos fiéis.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Bekräftigen ist lügen

Pour la mondialisation et le génocide culturel

"I will never write
In this language
Of such imbecile men"
I said to them,
Imposin' my image,
I assured: "Alright?
I'm a true patriot, as you can see."
Now... Where is the damn irony?

PS: Δεν είμαι ένα κοσμοπολίτης

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dostoiévski na roça

Le Canaille diz:
Vou para Pernambuco estudar frevo
Felipe diz:
E me deixar?
Le Canaille diz:
Sim...
Le Canaille diz:
Todo gênio é um tratante
Le Canaille diz:
E isso também se aplica aos músicos regionais, Maria...

Trilha sonora: Goianinha - Rolando Boldrin